Mercado reduz estimativa de inflação para 2023

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Expectativa é de redução na inflação

Boletim Focus, do BC, projeta queda pela oitava vez no ano; IPCA deve fechar 2023 em 4,95%

O Boletim Focus, do BC (Banco Central), reduziu a estimativa de inflação no País para este ano pela oitava vez. De acordo com o documento, divulgado toda segunda-feira pela instituição com o resumo das expectativas de mercado a respeito de alguns indicadores da economia brasileira, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve fechar em 4,95% neste ano.

Na semana passada, a estimativa do mercado financeiro era de que a inflação em 2023 ficasse em 4,98%. Há quatro semanas, a previsão era de 5,42%. O IPCA é utilizado para observar tendências de inflação, e mede mensalmente a variação nos preços de determinados itens e serviços comercializados no varejo, além de comparar os números obtidos com os do mês anterior.

A estimativa divulgada nesta segunda-feira (10) pelo BC permanece acima da meta de inflação perseguida para este ano. Definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), a meta está em 3,25%, com tolerância de um ponto percentual para mais, chegando ao limite de 4,75%; ou para menos, descendo no máximo a 1,75%. Para o próximo ano a estimativa é a de que o indicador fique na casa de 3,92%.

O BC utiliza a Selic, a taxa básica de juros que norteia a economia do País, como principal instrumento para tentar alcançar a meta de inflação. A Selic foi mantida em 13,75% ao ano pela sétima vez consecutiva na última reunião do Copom, no último dia 21 de junho. 

A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional e também como referência para as demais tarifas aplicadas na economia do País. O impacto fiscal devido à taxa de juros nesse patamar é de R$ 190 bilhões, segundo informou no último dia 22 de junho o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

As consequências da alta imposta pelo BC são sentidas no encarecimento do crédito e na desaceleração da economia, entre outros fatores. Porque, quando há a manutenção da taxa alta, com objetivo de conter a demanda aquecida, há reflexo nos preços dos produtos porque juros nas alturas tornam caro o crédito e estimulam a poupança. Ou seja, quanto menos crédito, menos consumo. 

Quanto menos consumo, menos produção. E quanto menos produção, maiores os riscos de aumento no número de desempregados, entre outros malefícios. Já com taxa mais baixa o crédito tem tendência de ficar mais barato, o que cria incentivo ao consumo e à produção, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. 

Especialistas no assunto são unânimes na análise de que não há motivos para manutenção da alta da Selic. Eles defendem pressão à instituição para que inicie ciclo de queda da taxa. A próxima reunião para definição da taxa está marcada para agosto. Para o mercado financeiro, a expectativa é que haja uma diminuição na Selic. A projeção aponta que ela termine o ano em 12%. Já para 2024, a previsão é de que a taxa recue e termine o ano em 9,5%.

O Boletim Focus engloba as estimativas de cerca de 100 instituições do mercado financeiro para os principais índices econômicos brasileiros. Para o próximo ano, os especialistas reduziram a estimativa de inflação para 3,92%. Na semana passada, a estimativa era  3,98%. 

Há quatro semanas, a estimativa era a de que o indicador fechasse 2024 em 4,12%. A projeção é a de que fique em 3,6% para 2025.

Já quando o assunto é o PIB, segundo o relatório do BC, haverá recuo para 2025, com crescimento de apenas 1,81%. O boletim manteve a estimativa divulgada na semana anterior, que foi de crescimento de 2,19% para este ano. Para 2024, o Focus estimou o crescimento de 1,28%, mesmo índice da semana anterior. Para 2025, a projeção é de um crescimento de 1,8%. Por fim, em relação ao câmbio, houve manutenção do mercado na estimativa mais uma vez, a terceira, com o dólar fechando em R$ 5. 

A estimativa quatro semanas atrás era de a moeda norte-americana ficar em R$ 5,10. Para o próximo ano, o mercado financeiro estima que a moeda fique em R$ 5,06, menor do que o projetado na semana passada, quando a estimativa mostrava R$ 5,08. A previsão é que fique em R$ 5,157 para 2025.

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